GOVERNANÇA E MECANISMOS DE CONTROLE SOCIAL EM REDES ORGANIZACIONAIS



Governança e mecanismos de controle social ...

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de confiança. Este Comportamento mantém intima relaçào
com a reputaçào (carater e confiança nos individuos). pois
este atributo potencializa uma abertura maior nas relaçoes
e com a macrocultura, considerando que, difundida e
posteriormente compartilhada a idéia de reciprocidade entre
os atores, tal comportamento ganha
status de legitimo.
Assim, atitudes contrarias a esse vetor seriam vistas como
desvios de conduta.

Porém, a rede é composta por empresas
diferenciadas cujos dirigentes e proprietarios, embora
busquem alcançar objetivos globais comuns, possuem
pontos de divergências. O conflito, invariavelmente, se
manifesta nestas ocasioes, impactando mais ou menos nas
relaçoes interorganizacionais, dependendo da situaçào, dos
atores envolvidos e de como isso é resolvido. Constatou-
se que se reconhece a presença de conflitos, os quais,
entretanto, seriam sempre solucionados nas reunioes
semanais, como expressam alguns entrevistados:

Seria mentira dizer que nao acontecem conflitos. O ser
humano ele é proprio disso [...]. Agora tudo é discutido.
Nos discutimos, nos resolvemos al
i” (Associado F -
Entrevista 7).

La a gente tem uma caracteristica muito séria: reunioes
de portas fechadas. O que foi discutido da porta pra
dentro nao sai da porta pra fora. La dentro nos brigamos,
batemos boca. Abriu a porta acabou. Ocorrem
divergências, pois sao opinioes diferentes
” (Associado
B - Entrevista 3).

Como forma de evitar que os conflitos induzam os
associados a tomarem atitudes que transgridam as regras
e ou possam prejudicar os demais participantes, sançoes
estao previstas no estatuto da rede. As sançoes coletivas
sao empregadas na governança de redes por meio da
definiçao dos parâmetros de comportamentos aceitaveis,
com o objetivo de punir os membros que violam as normas
e os valores estabelecidos. O regulamento da rede prevê
sançoes àqueles individuos que cometam desvios, como
suspensao por um periodo de trinta dias até a perda dos
benefîcios fornecidos pela rede.

Cabe salientar que, para os associados, a maior
sançao nao é aquela explicitada formalmente no estatuto e
que visa punir o transgressor, mas sim a situaçao
desconfortavel de ter que se justificar perante o grupo por
um desvio cometido. Considerando que o mecanismo de
coordenaçao mais importante na rede é a reputaçao, ser
sancionado significaria minar completamente a confiança
dos outros membros. Trata-se, evidentemente, de
reconhecer o valor da imagem pessoal e das boas relaçoes
com os demais dirigentes:

Como você justificaria um ato que você deixou de fazer
ou fez e nao esta de acordo? Eu acho que essa abertura,
da forma como é colocada, eu acho que a puniçao maior
é ter que se explicar, você estar ali de cara a cara e ter
que se explicar
” (Associado C - Entrevista 4).

Um aspecto interessante que poderia ser
denominado de restriçao da autonomia individual, e que
esta principalmente relacionado às negociaçoes com os
fornecedores, foi também identificado. Trata-se da liberdade
dos membros em comprar somente de fornecedores
cadastrados na rede. Ocorre, ainda, do associado deixar
de realizar uma compra porque o ganho deve ser
socializado. Do ponto de vista individual, as empresas
correm o risco de perder bons negocios, pelo fato do
fornecedor nao estar cadastrado, o que nao aconteceria
caso o associado nao fosse integrante da rede. Um exemplo
de todo esse processo é quando a proximidade geografica
de um determinado fornecedor com um dos membros
permite que ele ofereça melhores condiçoes de negociaçao
apenas àquela empresa:

“[...] a gente quando consegue um negocio melhor assim
na porta, a gente geralmente comunica la na rede pra
passar para os demais. As negociaçoes têm que ser feitas
somente junto a fornecedores cadastrados. O proprio
fornecedor, às vezes, oferece alguma coisa melhor ‘ah
porque você esta aqui mais perto’, e nao oferece pra
todo mundo. Entao, a gente pega e leva ao conhecimento
la
[na rede] pra ser analisado. Ou vai pra todo mundo
ou pra ninguém
” (Associado A - Entrevista 2).

Minha autonomia vai até que nao atrapalhe os pontos
que a rede pede que aconteça. Eu nao posso comprar de
quem eu quero, eu tenho que comprar de quem esta em
acordo com a rede. A minha autonomia vai até aquilo que
nao prejudique a rede
” (Associado F - Entrevista 7).

A autonomia é percebida de forma parcial pelos
associados, uma vez que ela existe até o ponto que nao
prejudique a rede e ou os atores de maneira geral, ou seja,
a restriçao da autonomia individual visa priorizar o senso
de coletividade, pois os regulamentos da rede estabelecem
um padrao de comportamento que deve ser seguido por
todos. Na visao dos associados, a autonomia é controlada

Organizaçoes Rurais & Agroindustriais, Lavras, v. 8, n. 1, p. 58-70, 2006



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